segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Notas soltas

1- A selecção nacional A , comandado pelo 'vimaranense' Agostinho Oliveira, tem, apesar do resultado negativo verificado frente ao Chipre, motivos para ficar satisfeita. Futebol é mesmo assim, e nem em um milhão de anos o Chipre volta a marcar 4 golos a Portugal.
2- Saúdo o regresso de Quaresma. Que falta o Harry Potter nos fez em África.
3- Hugo Almeida. Tem tudo para ser o 9 da selecção. Precisa de carinho. Precisa de mimo.
4- Inenarrável a continuação da novela terceiro mundista sobre o caso Queiroz. Os maus exemplos vêm de cima, e o senhor Madaíl, é um pobre actor que não tem pulso para fazer chegar o último episódio desta triste coisa.
5- Oceano e a 'sua' selecção de sub 21; as pessoas simples costumam dizer que ovelha não é para mato.
6- Sub 21. Apenas 4 jogadores , entre eles Bebé, transitarão para a renovada equipa de esperanças. Lamentável falta de talento numa fornada de jogadores que conquistou zero apuramentos. Zero.
6- Vitória-Benfica numa 6a feira à noite. Depois não há adeptos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A insustentável leveza de Emilio

Bom, terminadas as férias, merecidas, há que actualizar.. Há que actualizar..

Confesso que em férias, o futebol, pouco ou nada me interessou.
O que me apetecia era mesmo desligar-me do nosso futebol, o que só não aconteceu no jogo de má memória de Sevilha, o único a que assisti nestes tempos de descanso.

O caso Queiroz, a vintena diária de jogadores associados ao Desportivo de Lisboa, ou Sporting como se chama intramuros, o último espernear da 'silly-season', enfim. Podia também falar das parangonas dos pasquins de lisboa a anunciar  'Hleb's ' todos os dias , mas que de tão 'Hlebzinhos' que são , já voaram para outras paragens.

Enfim. A parvoíce anual, que tem tendência a evoluir para níveis de demência, ano após ano.

As férias para mim, foram mesmo férias.

Posto isto, e porque me sento para escrever numa altura no mínimo surpreendente, vou opinar levemente, porque gostaria de continuar em férias a ter que encarar um ultraje deste tamanho. A transferência do jogador Custódio Castro para o clube de trás-morreira.

Para qualquer adepto de 'bola' , facilmente vê no jogador qualidades inegáveis. Nomeadamente a técnica, o toque de bola, a visão periférica de jogo, a facilidade de passe, o bom jogo aéreo, e , obviamente, vê no jogador o estatuto de internacional por Portugal.
Tendo o atleta 27 anos, conseguindo ultrapassar a malapata das lesões, pode tornar-se num caso sério no clube arsenalista. A ver vamos.

Emilio Macedo, que começou a temporada com Custódio, Flávio, Dinis, Moreno e João Alves, (5 trincos) resolveu juntamente com o treinador Manuel Machado , avançar para a contratação de mais um, Ostolazza  (?), eventualmente para precaver a esperada saída do sub-capitão Moreno.
Ora, entendendo eu que a presença de Flávio no plantel , não seria mais que figurativa, assim como por exemplo o foram os últimos anos de Pedro Emanuel no Porto ou mais recentemente de Nuno Gomes no Benfica, pressenti que este ano seria o ano da afirmação de Custódio. Mas não. Enganei-me.

Com a chegada de Cléber (ex Nacional) o espaço do médio internacional por Portugal ficou mais curto no Vitória. Entendeu assim Manuel Machado.

Bom, sabendo que este ano é o último de contrato do capitão Flávio, sabemos de antemão que na próxima temporada teremos forçosamente que ir ao mercado por um trinco.

Custódio foi dispensado por Machado, que preferirá, como se vê pelo fetiche por Meireles, um homem na posição 6 que seja um 'varredor', um futebolista que possa perfeitamente encaixar como 3º falso central quando a equipa não tem bola. Custódio é , efectivamente um jogador, á escala entenda-se, de 'tiki taka', bom de bola, que sai a jogar, enfim, características que enumerei á pouco. Um jogador de 'souplesse', fino, com grande categoria.
Emilio e seus pares, deviam precaver-se da eventualidade de Manuel Machado não estar aqui no próximo ano, o que espero honestamente que não aconteça, todavia , cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém, ademais que o jogador teria que forçosamente ter mercado, e na eventualidade de tranferência, a opção teria que ser por empréstimo. Sempre por empréstimo.
Na hora de na próxima temporada procurarmos um substituto de Flávio, com ou sem Machado, ninguém nos irá oferecer um jogador da categoria de Custódio. Disso não tenho a mínima dúvida.

Mais um péssimo serviço de gestão de Emilio, que quem sabe não estará a pedir desculpas no fim da temporada, ou numa assembleia destas.

Terá sido um negócio 'exigido' por Jorge Mendes?

Fica a pergunta.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Do meu Sofá.

No fim, o jogo é visto no global. Olhanense 0 Vitória 0. Durante 90 minutos,o jogo deveria passar por diferentes momentos. Não falo aqui dos momentos defesa-ataque-transições. Falo de tendências de jogo, colocação das equipas e seu estado mental. Uma boa equipa entende esses diferentes momentos e o Vitória não foi uma boa equipa. Para ganhar, o segredo residia em perceber o «seu momento» táctico-mental em que estava a mandar (o que aconteceu duas vezes durante breves minutos) no jogo.Quando o tal momento táctico-mental estava do lado do Vitória, isto é, a dez minutos do fim, o Vitória pouco ou nada fez. para alcançar a vitória. Nessa altura, saber reagir podia virar a tendência do jogo, o que, sem um guia, se revelou impossível. Foi um jogo de quase sempre saber esperar, entender que não era o momento de pensar com o coração. Tivessem os jogadores a obrigação e consciência que o jogo iria ter outros (ritmo, posição dos blocos, posse, etc) e, então, não deixariam fugir o seu momento que poderia ser de glória. Edgar falhou dois golos porque não acreditou que podiam acontecer daquela forma, partindo de dois cruzamentos. vindos do nada. Isto chama-se personalidade, ou falta dela. Uma postura que traduz identidade, a mesma identidade que o Vitória não teve. Mentalmente, nunca se desmoronou no jogo, mesmo no momento mais adverso em que o Olhanense estava por cima. Soube sobretudo, proteger-se. Machado jogou claramente para o empate, o que me transtorna. Preferia ter perdido e jogar de outra forma.
A táctica é fundamental na criação desta personalidade. Entrar táctico-mentalmente inteira. Esta reflexão aplica-se, sobretudo, às equipas teoricamente inferiores num jogo onde sabem que o normal é ele estar mais tempo no momento adversário. Só que, subitamente, o Olhanense viu-se favorito. Pensei nisso vendo como o a apatia dos jogadores com D. Afonso Henriques ao peito, sem reagir à medida que o jogo ia decorrendo. De início, parecia condenado a perder. Pode parecer paradoxal, mas foi o momento crucial para a equipa mostrar a sua personalidade. Manteve o controlo emocional, não tentou reagir ofensivamente. Percebeu que era momento de aguentar para não deixar fugir o muito que ainda faltava jogar e, assim, preservar a hipótese de, mais tarde, quando o seu momento no jogo surgisse, estar em condições do aproveitar. Foi o não aconteceu.
Parecia haver uma estranha certeza táctica do que estavam a fazer, os nossos meninos. Estávamos limitados, é certo, mas em todos os momentos do jogo nunca senti que poderíamos e deveríamos sair do Algarve com uma vitória. Resultado? Triste. Saí triste da frente do meu televisor. Da parte que me toca, sinto-me envergonhado com a exibição. O ponto? Sabe como o mel. Não foi Nilson o salvador, não me pareceu ter feito uma exibição deslumbrante, tendo, a par de Freire, conseguido ser dos melhores em campo. Quem salvou o nosso ponto foi uma total desinspiração dos homens de Olhão.

Olhanense 0-0 Vitória Crónica







Baralhar, partir e dar.
É assim que, sempre começa, o popular jogo de cartas conhecido por 'sueca'.Mandam as regras que, quando se tem um bom jogo de mão, o melhor é destrunfar os adversários, para que  depois os ases e biscas dos outros naipes consigam amealhar o máximo de tentos possíveis.Quando não se tem um bom jogo, espera-se que o parceiro o tenha.
Manuel Machado, não tinha, efectivamente, um bom 'jogo de mão'.
Com Douglas e Ricardo castigados, com Targino, Maranhão e William lesionados, e sem o ás de trunfo Bebé, a missão de regressar ao berço com os três pontos tornou-se complicada.
Sem um armador de jogo definido, Faouzi foi adaptado à posição 10,  sem um homem capaz de construir o jogo a partir do meio campo defensivo, Custódio foi preterido por Flávio, o que não se compreende, percebendo desde logo que, não havia quem armasse, construísse e pautasse as manobras ofensivas do jogo. Flávio funcionava como um terceiro central, praticamente empurrado para junto dos colegas Valdomiro e Leandro Freire, o que deixava vislumbrar um fosso entre linhas, e um João Alves muito transpirado. 
Manuel Machado, tentou , ao intervalo, rectificar o erro ,subtraindo um desamparado Pereirinha,  lançando Edson Sitta, um jogador com uma capacidade de passe e esclarecimento diferente do de João Alves. Este, um médio que voltou a ser mais esforçado que talentoso, mais voluntarioso que eficaz. Iniciando a segunda parte da contenda, no modelo preferido de Machado, 442 em losango.
Todavia, o treinador do Vitória, insistia em 'mandar biscas por baixo de ases', ao permitir que o internacional marroquino Faouzi, continuasse perdido em campo em correrias estéreis e inconsequentes, relegando o médio, e  actual numero 10 do plantel, Rui Miguel, para terceira escolha. Para um jogador  como o ex-pacence, não ter ajudado os colegas na noite de ontem, deverá com certeza fazer repensar o atleta na sua conduta, e , demonstrar ao mister, que, pode contar com ele. Desiderato que não conseguiu, nos jogos de preparação. Com a facilidade de remate que o 10 do Vitória tem, podia ter dado muito jeito aos colegas, se ontem tivesse entrado. Machado assim não entendeu.
Mesmo assim, e a jogar mal, Edgar podia ter desfeiteado Moretto em duas ocasiões, ambas de cabeça.
O avançado brasileiro 'Edgol' terá que rever a forma como executa os cabeceamentos, para tirar o melhor proveito da elevada estatura. Foram oportunidades claríssimas de golo, que evidentemente não se podem desperdiçar.

Nota para o  treinador vimaranense,que, baralhou os jogadores, partiu a equipa ao meio, e deu a Faquirá , uma chance de ouro para ficar com os três pontos.

Salvou-se Nilson.
Mais uma noite de gala do 'paredão'. nota 10.

Melhor e pior :

  










Nilson. 

Verdadeiramente inatacável. MVP do jogo, claramente.
Evitou com um punhado de defesas, aquilo que parecia ser inevitável.












Alex. 

Incrível o momento deplorável de forma deste jogador.
Depois  de uma temporada má, como foi a anterior, parece neste arranque de liga, estar pior.
Faltoso, viu-lhe ser perdoada a expulsão.
Devia pedir para não jogar.


Baby? No way!

Sir Alex é assim.
Autoritário, disciplinador, quase déspota, mas ao mesmo tempo , terno, um verdadeiro pai, ou tutor.

Bebé ou Tiago


O mister já decidiu.
Depois do jogador já aparecer hoje no treino com um novo visual, Fergie , ordenou também ao talentoso avançado português que escolhesse outro nome que não o conhecido 'Bebé'.
Ciente das etapas que o jogador terá que, invariavelmente, ultrapassar, o manager dos Red Devils, não perdeu muito tempo a aconselhar o jovem a acatar as suas decisões.
Tiago, Correia, ou Tiago Correia deverão ser as alternativas apresentadas ao craque que de três, uma terá que escolher.
Quanto ás belas  e compridas 'rastas' , Tiago, já com certeza 'chorou' a sua perda.
Alex Ferguson, Verdadeiro caça-talentos, sabe muito bem como lidar com a 'síndrome da vedetagem', 'doença' que afecta quase todos os jogadores. Assim, e com uma escola onde pontificaram Cristiano Ronaldo, Nani, Giggs, Scholes entre outros, é de prever que Tiago( Bebé) quando aparecer em campo, o faça com os processos de crescimento e maturação, bem , mas bem assinalados.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Minuto 93´ - Um golo de antologia.

Jesus tem muito trabalho pela frente.


Juninho Paraíba entrara momentos antes para queimar tempo na busca de segurar o precioso e merecido empate na Luz.
Jorge Costa sofria no banco da Académica. O Benfica atacava com oito jogadores. A Académica defendia com 9. "Seja o que deus quiser." terá pensado O Bicho, que podia ter retirado um extremo e colocado bem á portuguesa mais um central para lutar fisicamente contra a armada benfiquista nos momentos finais.

Mas eis o minuto 93´. Juninho Paraíba, junto à sua área, guarda a bola. Decide fintar o primeiro opositor, e com sucesso, corre, corre, corre, volta a fintar, corre e corre, sentindo que tem num minuto pode mostrar toda a sua qualidade. O brasileiro vê-se agora com duas opções depois de ter galgado terreno com a bola colada ao pé: abrir na esquerda e fugir pelo meio ou abrir para o meio onde o espaço de progressão era maior. Escolheu o meio, pensando na tabelinha. Laionel recebe, dá dois ou três passos de bola corrida, ele que sabe temporizar como poucos. Laionel, avançado, sabe onde está a baliza. Numa casa de apostas, ninguém apostaria num remate àquela distância, mas foi o que saiu do seu pé direito. Por isso a magia se chama magia.
Naquele momento, Laionel sabe que não tem nada a perder em rematar. Conhece-se tecnicamente, sabe que é capaz de rematar com idoneidade. Na baliza está um guarda-redes (e isso ele também tem noção) que devido ao muito que se tem falado, está um tanto ao quanto inseguro. Existiam assim mil e uma razões para encher o pé, explanar orgulho, o talento, a vontade e o querer. A bola, esse ser redondo e apaixonante, sobrevoou três quartos de um meio campo perante um atónito estádio da Luz/Sportv e começa a descer ligeiramente, tensa, com vontade de mudar a história.
Naquele momento, qualquer baliza é panteísta.
Aquela, se o futebol é arte, tinha que entrar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A polémica de 2010.

Todos os anos temos disto. Depois da descida do Boavista, da continuação do Belenenses, do recurso do Gil Vicente, do vai ou não vai à Europa do Porto... Eis que este ano temos Carlos Queiroz.

O seleccionador chamou várias personalidades para testemunhar a seu favor no caso dos insultos a Luís Horta e dessa lista só Luís Filipe Vieira não passou pela sede da FPF porque está no Brasil a tentar gastar mais uns milhões. De resto, a roda-viva de personalidades foi encabeçada por Sir Alex Ferguson, que viajou de propósito de Manchester até Lisboa. Pinto da Costa e Luís Figo foram os outros ilustres de um grupo que contemplava ainda o médico da selecção (Henrique Jones), elementos da equipa técnica (António Simões e Agostinho Oliveira) e amigos de Carlos Queiroz (Vítor Frade, professor da Faculdade Desporto do Porto, e Joaquim Barbosa, presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Vascular).

Como seria de esperar, Alex Ferguson não poupou nos elogios às qualidades humanas e técnicas do seleccionador. "O seu principal objectivo na vida é "des-envolver" e inspirar jovens jogadores. É um grande homem, com grande dignidade. Passou vários anos de sacrifício e teve seis anos fantásticos no Manchester United", explicou o técnico escocês.

A artilharia pesada veio mais tarde Pinto da Costa assumiu uma postura diferente diante dos jornalistas e, em vez dos elogios, não pôs limites aos ataques à forma como todo o processo foi conduzido. A palavra "ridículo" ouviu-se vezes sem conta para classificar um caso que, segundo o presidente do FC Porto, pretende "chamuscar e queimar" a imagem de Carlos Queiroz. O líder portista até contou um episódio da sua viagem até Lisboa para explicar a ideia: "Vim de carro do Porto e por sorte não vinha a conduzir. Senão até dava uma guinada no volante quando ouvi um jornalista [Jorge Baptista] que não conheço e que teve um problema com o actual seleccionador no aeroporto a dizer que o caso passado com ele era muito mais grave do que aquele em que o Scolari agrediu um jogador adversário em pleno jogo."

Além das testemunhas, que servem para comprovar o carácter do seleccionador, a defesa de Queiroz perante o Conselho de Disciplina será feita através de um documento apresentado pelos seus advogados. Segundo o "Record", o técnico assume nessas páginas a frase que motivou todo o processo - "Porque é que estes gajos não vão a esta hora fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta?" -, embora a classifique como um "desabafo face à sua impotência e frustração por não conseguir evitar o acordar dos jogadores antes da hora."

Seja como for, o processo está longe do fim. Qualquer decisão do Conselho de Disciplina poderá ter recurso para o Conselho de Justiça. E o caso pode nem parar aí, já que não está em causa um processo desportivo - como aconteceu com a agressão de Scolari a Dragutinovic -, mas sim um incidente com uma figura ligada à Secretaria de Estado do Desporto.

Temos mais um caso. À Lusitana!