No fim, o jogo é visto no global. Olhanense 0 Vitória 0. Durante 90 minutos,o jogo deveria passar por diferentes momentos. Não falo aqui dos momentos defesa-ataque-transições. Falo de tendências de jogo, colocação das equipas e seu estado mental. Uma boa equipa entende esses diferentes momentos e o Vitória não foi uma boa equipa. Para ganhar, o segredo residia em perceber o «seu momento» táctico-mental em que estava a mandar (o que aconteceu duas vezes durante breves minutos) no jogo.Quando o tal momento táctico-mental estava do lado do Vitória, isto é, a dez minutos do fim, o Vitória pouco ou nada fez. para alcançar a vitória. Nessa altura, saber reagir podia virar a tendência do jogo, o que, sem um guia, se revelou impossível. Foi um jogo de quase sempre saber esperar, entender que não era o momento de pensar com o coração. Tivessem os jogadores a obrigação e consciência que o jogo iria ter outros (ritmo, posição dos blocos, posse, etc) e, então, não deixariam fugir o seu momento que poderia ser de glória. Edgar falhou dois golos porque não acreditou que podiam acontecer daquela forma, partindo de dois cruzamentos. vindos do nada. Isto chama-se personalidade, ou falta dela. Uma postura que traduz identidade, a mesma identidade que o Vitória não teve. Mentalmente, nunca se desmoronou no jogo, mesmo no momento mais adverso em que o Olhanense estava por cima. Soube sobretudo, proteger-se. Machado jogou claramente para o empate, o que me transtorna. Preferia ter perdido e jogar de outra forma.
A táctica é fundamental na criação desta personalidade. Entrar táctico-mentalmente inteira. Esta reflexão aplica-se, sobretudo, às equipas teoricamente inferiores num jogo onde sabem que o normal é ele estar mais tempo no momento adversário. Só que, subitamente, o Olhanense viu-se favorito. Pensei nisso vendo como o a apatia dos jogadores com D. Afonso Henriques ao peito, sem reagir à medida que o jogo ia decorrendo. De início, parecia condenado a perder. Pode parecer paradoxal, mas foi o momento crucial para a equipa mostrar a sua personalidade. Manteve o controlo emocional, não tentou reagir ofensivamente. Percebeu que era momento de aguentar para não deixar fugir o muito que ainda faltava jogar e, assim, preservar a hipótese de, mais tarde, quando o seu momento no jogo surgisse, estar em condições do aproveitar. Foi o não aconteceu.
Parecia haver uma estranha certeza táctica do que estavam a fazer, os nossos meninos. Estávamos limitados, é certo, mas em todos os momentos do jogo nunca senti que poderíamos e deveríamos sair do Algarve com uma vitória. Resultado? Triste. Saí triste da frente do meu televisor. Da parte que me toca, sinto-me envergonhado com a exibição. O ponto? Sabe como o mel. Não foi Nilson o salvador, não me pareceu ter feito uma exibição deslumbrante, tendo, a par de Freire, conseguido ser dos melhores em campo. Quem salvou o nosso ponto foi uma total desinspiração dos homens de Olhão.
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