segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Minuto 93´ - Um golo de antologia.

Jesus tem muito trabalho pela frente.


Juninho Paraíba entrara momentos antes para queimar tempo na busca de segurar o precioso e merecido empate na Luz.
Jorge Costa sofria no banco da Académica. O Benfica atacava com oito jogadores. A Académica defendia com 9. "Seja o que deus quiser." terá pensado O Bicho, que podia ter retirado um extremo e colocado bem á portuguesa mais um central para lutar fisicamente contra a armada benfiquista nos momentos finais.

Mas eis o minuto 93´. Juninho Paraíba, junto à sua área, guarda a bola. Decide fintar o primeiro opositor, e com sucesso, corre, corre, corre, volta a fintar, corre e corre, sentindo que tem num minuto pode mostrar toda a sua qualidade. O brasileiro vê-se agora com duas opções depois de ter galgado terreno com a bola colada ao pé: abrir na esquerda e fugir pelo meio ou abrir para o meio onde o espaço de progressão era maior. Escolheu o meio, pensando na tabelinha. Laionel recebe, dá dois ou três passos de bola corrida, ele que sabe temporizar como poucos. Laionel, avançado, sabe onde está a baliza. Numa casa de apostas, ninguém apostaria num remate àquela distância, mas foi o que saiu do seu pé direito. Por isso a magia se chama magia.
Naquele momento, Laionel sabe que não tem nada a perder em rematar. Conhece-se tecnicamente, sabe que é capaz de rematar com idoneidade. Na baliza está um guarda-redes (e isso ele também tem noção) que devido ao muito que se tem falado, está um tanto ao quanto inseguro. Existiam assim mil e uma razões para encher o pé, explanar orgulho, o talento, a vontade e o querer. A bola, esse ser redondo e apaixonante, sobrevoou três quartos de um meio campo perante um atónito estádio da Luz/Sportv e começa a descer ligeiramente, tensa, com vontade de mudar a história.
Naquele momento, qualquer baliza é panteísta.
Aquela, se o futebol é arte, tinha que entrar.

Nenhum comentário: