Todos os anos temos disto. Depois da descida do Boavista, da continuação do Belenenses, do recurso do Gil Vicente, do vai ou não vai à Europa do Porto... Eis que este ano temos Carlos Queiroz.
O seleccionador chamou várias personalidades para testemunhar a seu favor no caso dos insultos a Luís Horta e dessa lista só Luís Filipe Vieira não passou pela sede da FPF porque está no Brasil a tentar gastar mais uns milhões. De resto, a roda-viva de personalidades foi encabeçada por Sir Alex Ferguson, que viajou de propósito de Manchester até Lisboa. Pinto da Costa e Luís Figo foram os outros ilustres de um grupo que contemplava ainda o médico da selecção (Henrique Jones), elementos da equipa técnica (António Simões e Agostinho Oliveira) e amigos de Carlos Queiroz (Vítor Frade, professor da Faculdade Desporto do Porto, e Joaquim Barbosa, presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Vascular).
Como seria de esperar, Alex Ferguson não poupou nos elogios às qualidades humanas e técnicas do seleccionador. "O seu principal objectivo na vida é "des-envolver" e inspirar jovens jogadores. É um grande homem, com grande dignidade. Passou vários anos de sacrifício e teve seis anos fantásticos no Manchester United", explicou o técnico escocês.
A artilharia pesada veio mais tarde Pinto da Costa assumiu uma postura diferente diante dos jornalistas e, em vez dos elogios, não pôs limites aos ataques à forma como todo o processo foi conduzido. A palavra "ridículo" ouviu-se vezes sem conta para classificar um caso que, segundo o presidente do FC Porto, pretende "chamuscar e queimar" a imagem de Carlos Queiroz. O líder portista até contou um episódio da sua viagem até Lisboa para explicar a ideia: "Vim de carro do Porto e por sorte não vinha a conduzir. Senão até dava uma guinada no volante quando ouvi um jornalista [Jorge Baptista] que não conheço e que teve um problema com o actual seleccionador no aeroporto a dizer que o caso passado com ele era muito mais grave do que aquele em que o Scolari agrediu um jogador adversário em pleno jogo."
Além das testemunhas, que servem para comprovar o carácter do seleccionador, a defesa de Queiroz perante o Conselho de Disciplina será feita através de um documento apresentado pelos seus advogados. Segundo o "Record", o técnico assume nessas páginas a frase que motivou todo o processo - "Porque é que estes gajos não vão a esta hora fazer o controlo para a c... da mãe do Luís Horta?" -, embora a classifique como um "desabafo face à sua impotência e frustração por não conseguir evitar o acordar dos jogadores antes da hora."
Seja como for, o processo está longe do fim. Qualquer decisão do Conselho de Disciplina poderá ter recurso para o Conselho de Justiça. E o caso pode nem parar aí, já que não está em causa um processo desportivo - como aconteceu com a agressão de Scolari a Dragutinovic -, mas sim um incidente com uma figura ligada à Secretaria de Estado do Desporto.
Temos mais um caso. À Lusitana!
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